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A democracia agoniza

Por Fernando Caldeira

Fernando-CaldeiraQuando os gregos elaboraram e criaram o governo do povo, não podiam imaginar, por certo, que num país que seria descoberto em 1500 por Pedro Álvares Cabral, Cunhas, Neves, Calheiros, entre outros, centenas de anos depois, fizessem da democracia escrava de seus desejos.

Num regime presidencialista onde o eleitor elege o Presidente mas não lhe dá  maioria parlamentar para implantar o projeto político que o levou ao poder, o governo de coalizão se faz imperativo, e aí começa a zorra!

Coalizão nada mais é que união de contrários que, juntos, dão sustentabilidade ao governante. Mas unir contrários não se faz com bons propósitos, tão somente. Antes fossem os propósitos o liame a uni-los. Infelizmente, o que dá junção à coalizão são as famosas benesses: cargos, emendas parlamentares, e outros que tais.

E nessa base do toma lá, dá cá, só quem perde é o povo. Afinal, em cargos públicos importantes para o caminhar do país não estão os melhores, os mais capacitados, os mais preparados. Estão os apadrinhados. De quem? Dos Cunha,  dos Calheiros…, e por aí vai.

Mas, como se o escanteio da meritocracia para o preenchimento desses importantes cargos de comando do Brasil já não fosse suficientemente danoso ao país, esses “apadrinhados” em geral são políticos derrotados nas urnas, que os recebem como prêmios de consolação.  Isso mesmo, consolação.  Suas frustrações político-eleitorais são consoladas com polpudos salários, mordomias, e muitas vezes com esquemas fraudulentos de desvio do dinheiro público.

Hoje, nosso país não sabe pra onde vai. Uma Presidenta eleita pelo voto do povo está ameaçada de cassação, porque a representação de seu partido na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados afirma votar pelo prosseguimento do processo de cassação do Presidente da Câmara Federal, a quem cabe a admissibilidade do processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Ou seja, com o pescoço na guilhotina da Comissão de Ética, e não podendo contar com o apoio do partido da Presidenta para tentar escapar da degola, Cunha dá o troco e, no melhor estilo chantagista, vai às TV´s e, descaradamente, diz que razões técnicas, “puramente técnicas” o fizeram dar admissibilidade ao processo de impeachment.

Então, estamos assim: dane-se a democracia; às favas com a meritocracia; viva o apadrinhamento; loas para as emendas parlamentares; salve os cargos em comissão; palmas para os esquemas políticos e graças à chantagem!

Assim caminha o Brasil.

A democracia agoniza!

S O L T A S

*A sociedade civil organizada de Cajazeiras continua campanha de contribuições para a construção do Instituto Médico Legal (IML). Segundo a Superintendente da Suplan, Simone Guimarães, o governador Ricardo Coutinho (PSB) já lhe determinou a construção do IML, bem como da sede própria da VI Ciretran.

*O Tribunal de Contas do Estado, de tribunal só tem o nome: não julga, e portanto não sentencia. Também pudera, não é formado por magistrados mas, basicamente, por ex-deputados e assessores políticos de ex-governadores.

*Sinceramente, falar em gastar dinheiro público das prefeituras para promover carnaval, quando o Nordeste vive seu 4° ano consecutivo de seca é, no mínimo, insensibilidade!

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