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Direitos e deveres: A democracia em festa.

Neste 05 de outubro de 2014 tive pela primeira vez a honra e a responsabilidade de participar das eleições em dose dupla. Não apenas como eleitora, mas como membro da mesa receptora de votos da sessão vinte e cinco, da zona 37.

claraEnquanto exercia minha função, em favor do exercício da democracia do meu país, não deixei de me emocionar com o que vi e vivi neste domingo. Entre a sequência de números dos títulos eleitorais e a confirmação do voto no último candidato vi jovens, adultos, cidadãos com mobilidade reduzida, doenças graves, gestantes e mães com seus bebês no colo, todos decidindo o futuro. E como fui feliz, pois naquele breve espaço de tempo, entre a busca pelo nome do eleitor no caderno de votação, sua assinatura e a caminhada rumo a cabina de votação senti um pouco da história de vida de cada pessoa que por ali passou. Emocionei-me diversas vezes ao lembrar o que aprendi nas aulas de História, na escola e na academia, sobre as eleições no Brasil, sobre os direitos eleitorais conquistados, da luta, suor e sangue derramados em nome de dias como o de hoje. Lembre, do tempo em que pobres, mulheres, analfabetos, militares e funcionários públicos eram excluídos dos pleitos eleitorais. E como depois de tantas batalhas, lágrimas, suor, sangue, humilhações, torturas, desaparecimentos, exílios e mortes, hoje podemos ir as urnas e escolher diretamente quem irá nos representar e governar. Também é possível discutir política em qualquer lugar, discordar de quem nos governa, protestar sabendo que nossa vida e integridade não correm perigo, não por isso.

                É claro que ainda há muitas discussões sobre a obrigatoriedade do trabalho eleitoral e do voto e que é extremamente válido questionar e argumentar contra ou a favor, afinal, isso é democracia. Evidente que precisamos de uma reforma política urgente, mas não podemos esquecer que há menos de quarenta anos a população brasileira só podia “decidir” entre dois partidos ARENA E MDB, numa eleição marcada por muitas pressões, violências e fraudes. Hoje vemos uma diversidade de candidatos e propostas, eleições reguladas por uma legislação própria que qualifica como crime eleitoral práticas, que no passado recente, eram comuns e legais. Hoje temos acima de tudo a participação cidadã, garantida pela nossa Constituição Federal de 1988, onde votar independe de gênero, classe social, profissão, grau de escolaridade.

                Foi lindo presenciar um adolescente tremendo, por decidir pela primeira vez o que queria para o futuro do país. Ver mulheres de todas as idades votando, talvez achando isso a coisa mais natural do mundo, e que bom que hoje é. Ainda sofremos com os índices de analfabetismo, para os cidadão que fazem parte dessa estatística o voto é facultativo, mas comprovei o compromisso deles nos olhares, as vezes tranquilo, outras vezes encabulados ao dizer que não assinavam e queriam a almofada azul. Corri os olhos nas folhas do caderno de votação as pressas para que os policiais militares votassem e voltassem ao cumprimento do dever, hoje cumprido em dose dupla.

                Foi um lindo domingo, dia de colocar a roupa de festa e de votar. Festejar a tão sonhada democracia, reencontrar conhecidos que apenas a cada dois anos é possível, acompanhar pessoas queridas nas longas filas a espera da sua vez. Eu agradeço pela experiência, o Brasil agradece pelo exercício da democracia. Dia 26 de outubro de 2014 tem mais. Vamos continuar acreditando que começamos e no segundo turno estaremos construindo o país do futuro. Viva o Brasil. Viva a República.

Clara Geysa Marcos Duarte, 06 de outubro de 2014.

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