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A morte de Biu Ramos: ícone do jornalismo paraibano

Com a morte de Severino (Biu) Ramos a geografia humana, o jornalismo e a literatura da Paraíba ficaram mais pobres. Biu Ramos sempre foi considerado a legenda do jornalismo e da literatura na Paraíba, profissional polêmico, autor de obras de repercussão e impacto e de reportagens que marcaram época na imprensa. Foi colunista político, correspondente de jornais como Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API), Secretário de Cultura no governo Tarcísio Burity, superintendente do jornal União e da rádio Tabajara.

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Notável analista político, escritor de linguagem estilo Machadiano. Seus textos ainda hoje são inimitáveis. Ele ultrapassou todos os obstáculos, em especial o preconceito pela negritude que se fez impor diante da elite branca paraibana e de outros naipes. Foi o primeiro jornalista negro a conseguir grandes espaços na sociedade como Secretário de Cultura do Estado. Biu Ramos era natural de Santa Rita, cidade histórica localizada junto à capital do estado. Santa Rita foi palco da implantação dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar na Paraíba que puniam os pobres e negros com desprezo.  Biu Ramos saiu de  Santa Rita para brilhar na ribalta da imprensa paraibana.

Biu Ramos era dono de um texto acurado e personalidade marcante. Teve papel marcante na elucidação do assassinato de João Pedro Teixeira, líder-fundador da primeira liga camponesa na Paraíba, fundada no Município de Sapé. Sua luta e garra em prol dos trabalhadores rurais o tornaram um mártir da luta pela terra no Nordeste do país, a exemplo do acreano Chico Mendes, que ganhou notoriedade por batalhar em defesa do seringal e do meio ambiente na região amazônica.

Iniciou no jornalismo aos 17 anos, como repórter. Em sua carreira, Biu Ramos chegou a trabalhar em emissoras de rádio e em jornais impressos, sendo o primeiro correspondente em João Pessoa do Jornal do Brasil, entre os anos de 1965 e 1975. Igualmente foi correspondente da Folha de São Paulo e das revistas Veja e Realidade e o primeiro diretor sucursal do Diário de Pernambuco na capital paraibana. Como autor, chegou a publicar oito livros, entre eles “Memórias de um Repórter”, “Crimes que abalaram a Paraíba” e as biografias dos ex-governadores João Agripino e Tarcísio Burity.  Biu Ramos construiu boa parte de sua carreira na redação do Jornal Correio da Paraíba.

Biu Ramos apurou e escreveu sobre alguns dos capítulos mais importantes da história do  Estado da Paraíba, deixando, em jornais e livros, reportagens que mantém vivo um passado recente da trajetória marcante de nossa gente. Como repórter investigativo  contribuiu e prestou um  relevante serviço ao povo paraibano.

O escritor, colunista, editor, diretor, apresentador, presidente da API, Biu Ramos  não entrou para a Academia Paraibana de Letras, mas não foi por falta de méritos. Os chamados imortais da Academia devem esta explicação à Paraíba.

Nos tempos em que se discute muito as falsas notícias perder um ser humano e um profissional da envergadura e da credibilidade  de Biu Ramos nos leva a uma reflexão  de qual jornalismo  queremos para o futuro. Estamos carentes de um bom jornalismo. Um jornalismo imparcial.

Abdias Duque de Abrantes – jornalista, servidor público, advogado e pós-graduado em Direito Processual do Trabalho pela Universidade Potiguar (UnP), que integra a Laureate International Universities

 

 

 

 

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