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Líder camponês da PB, João Pedro Teixeira: Herói da Pátria

João Pedro Teixeira foi um líder das ligas camponesas da Paraíba.  Nasceu em 4 de março de 1918, em Pilõezinhos,  Distrito do Município de Guarabira-PB. Foi o líder-fundador da primeira liga camponesa na Paraíba, fundada em 1958 no Município de Sapé, que tinha a denominação oficial de “Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Sapé” e chegou a contar com mais de sete mil sócios. A legislação trabalhista sancionada durante o governo de Getúlio Vargas não se estendia aos trabalhadores rurais, que, sem nenhum tipo de regulamentação, tinham seus direitos atropelados pelos grandes latifundiários.

João Pedro Teixeira

As ligas camponesas foram organizadas com o objetivo de prestar assistência social a pequenos proprietários rurais, arrendatários e assalariados, defendendo os direitos desses grupos. Mas, a partir da década de 60, passou a atuar como ferramenta de organização do movimento agrário. A luta era diária, João Pedro, juntamente com outras lideranças como Pedro Fazendeiro e Nego Fuba, percorriam feiras livres, engenhos e fazendas para conversar com os camponeses e exercer um trabalho de conscientização da realidade a que estavam submetidos.

FOTO DE JOÃO PEDRO E FAMÍLIA

A luta pela terra desencadeou um processo de repressão e perseguição aos líderes. Prisões sistemáticas, assassinatos e boicotes às plantações eram encabeçados pelos grandes latifundiários que acreditavam que, com a eliminação das lideranças camponesas, o movimento se extinguiria. Militante histórico da reforma agrária, João Pedro Teixeira foi uma referência na luta pela terra nos anos 1950. Construiu uma trajetória de luta que virou referência para os trabalhadores do campo.

JoaoPedroTeixeira1 CADAVER

Negro, pobre e sem-terra oprimido pelos interesses do latifúndio, ele viu, ao longo de sua jornada, a militância política receber como resposta a violência. E a luta lhe custou como preço mais alto a própria vida, quando, em  02 de abril 1962, foi assassinado na  Estrada Café do Vento, entre Sapé e o Sítio Barra de Anta do Sono, com três disparos aos 44 anos durante uma emboscada arquitetada por latifundiários que atuavam na Paraíba. Os executores  foram dois soldados e um vaqueiro disfarçados. Cinco mil camponeses comparecem ao sepultamento de João Pedro Teixeira, em um ato de homenagem ao líder e protesto contra a impunidade e violência no campo.

João Pedro Teixeira foi casado com Elizabeth Altino Teixeira  com quem teve onze filhos Marluce, Abraão, Isaac, Marta, Paulo, José Eudes, João Pedro Filho, Carlos, Maria das Neves, Ana e Maria José. João Pedro Teixeira Filho e José Eudes foram assassinados e Marluce suicidou-se. Após o assassinato do esposo Elizabeth Teixeira  assumiu a liderança da organização no município de Sapé. A trajetória de vida da paraibana Elizabeth Teixeira, confunde-se com a história da luta pela reforma agrária e pela emancipação do povo brasileiro.

Com o Golpe Militar, Elizabeth Teixeira, juntamente com outros líderes camponeses, é presa pelo Exército, onde permanece oito meses encarcerada. Em 1964, Eduardo Coutinho iniciou as filmagens do documentário “Cabra Marcado para Morrer“, que contaria a história de João Pedro Teixeira, no entanto, as filmagens foram interrompidas pelo golpe militar de 1964.

O documentário somente seria finalizado e lançado em 1984. A casa onde viveu o líder camponês João Pedro Teixeira, no município de Sapé, foi tombada pelo então governador Ricardo Coutinho (PSB). A propriedade e a casa ficam localizadas no Sítio Antas do Sono, zona rural de Sapé..

Para quem conviveu com o abandono do Estado brasileiro e conheceu a lado mais cruel da violência, talvez fosse difícil imaginar que sua história fosse um dia reconhecida por esse mesmo Estado. Mas eis que, neste janeiro de 2018, o nome do líder João Pedro Teixeira passou a figurar no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, que homenageia personalidades com destaque na história do país.

O “Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria”, como é chamado, reúne nomes que entraram para a história nacional e, para fazer parte da coletânea, é preciso que o Senado e a Câmara dos Deputados aprovem um projeto de lei com o pedido de inclusão. O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria fica exposto no Panteão da Pátria, em Brasília, e registra nomes como os de Zumbi dos Palmares, Tiradentes e Santos Dumont. O Livro dos Heróis da Pátria também é conhecido como “Livro de Aço”, referência ao material em que é confeccionado.

A Presidência da República sancionou a Lei 13.598, de 08 de janeiro de 2018 que determina a nome de João Pedro Teixeira no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. A proposta de inclusão do nome de Teixeira no Livro partiu do Projeto de Lei (PL) 3700/12, do deputado Valmir Assunção (PT-BA). O parlamentar sustenta que a medida é importante para, entre outras coisas, disseminar mais informações a respeito da luta pela terra.

O historiador José Jonas Duarte da Costa, fundador do Centro de Defesa dos Direitos Humanos João Pedro, hoje localizado na capital paraibana, assinala que a inclusão do nome do militante no Livro é importante para que a história oficial reconheça, ainda que timidamente, a luta dos trabalhadores brasileiros por direitos e emancipação.

“É uma grande vitória dos movimentos sociais de luta pela terra. Ao inscrever o nome de João Pedro Teixeira no Livro dos Heróis da Pátria, fica consignada a nossa homenagem, a homenagem do MST e de todos os trabalhadores do campo brasileiro aos verdadeiros heróis do Brasil e do seu desenvolvimento econômico e social”, afirmou o deputado Valmir Assunção (PT-BA).

Abdias Duque de Abrantes – jornalista, servidor público, advogado, graduado em Direito pela UFPB e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Potiguar (UnP), que integra a Laureate International Universities

 

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