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Médica da PB conta rotina no tratamento de pacientes com Covid-19

Camila Agra é infectologista e lembra de como vivenciou a evolução dos casos no hospital onde trabalha, que é referência no tratamento do novo coronavírus.

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Quando os casos de infecção pelo novo coronavírus começaram a ganhar destaque em Wuhan, na China, em dezembro do ano passado, colegas da médica infectologista Camila Agra Gomes, de 36 anos, acharam que ela estava exagerando por acreditar que o Brasil seria afetado. A profissional de saúde nasceu em Campina Grande, trabalha em um hospital de referência ao tratamento da Covid-19 em São Paulo e relatou ao G1 a rotina que vivencia desde antes da pandemia ser decretada.

“Sei que depois que tudo passar, não seremos mais os mesmos, como pessoas, como médicos, como seres humanos”, destacou Camila.

Com o surgimento de casos em São Paulo, ela se preveniu a cada atendimento com pacientes que apresentavam sintomas respiratório semelhantes aos do coronavírus. A cada novo dia, surgia a incerteza do que o futuro reservava.

“Por ser infectologista, é uma experiência engrandecedora e ao mesmo tempo aterrorizante”, declarou.

Antes do decreto da pandemia, feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ela e os colegas de trabalho aprenderam na prática do cotidiano como acolher cada caso suspeito.

Com o tempo, o número de pessoas com sintomas da Covid-19 cresceu. Nos primeiros plantões ela sentiu o peso da doença.

“Não se tratava apenas de cansaço físico pela demanda de pacientes, mas o cansaço mental”, lembrou.

A quantidade de relatos de profissionais de saúde subiu junto com a preocupação que ela sentia. O choro começou a fazer parte da rotina da profissional de saúde.

“É um momento muito difícil para o mundo, e para nós médicos é aterrorizante, pois cada vez que eu desperto, eu agradeço a Deus por estar viva e saudável”, desabafou.

Ela lembra que os idosos são um dos grupos de risco. Mas que vê muitos jovens, sem qualquer fator de risco, sendo penalizados com a doença. “Vidas que estão indo embora, e olhe que nem chegamos ainda ao pico, ao esgotamento dos sistemas de saúde”, pontuou.

Camila disse ainda que se assusta com a maneira agressiva com que o coronavírus ataca os pulmões e provoca pneumonias graves nos pacientes e a forma como a doença é transmitida rapidamente de pessoa para pessoa. Por fim, ela reforçou a importância de manter o isolamento social.

“Fiquem em casa! Não esperem que seu pai, sua mãe, seu filho ou seu namorado sejam acometidos agressivamente pela Covid-19. A doença não escolhe, ela simplesmente chega, e quando a gente vê, ela já fez estragos que podem inclusive deixar sequelas”, finalizou.

 Fonte: G1PB

 

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